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Proposta para criação da “Comunidade que Sustenta a Agricultura” prossegue

O segundo encontro para criação da Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA), em São Sebastião, está marcado para o próximo dia 15 (domingo), no “Sítio Missias”, às 9h, no bairro São Francisco.

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A primeira atividade para formação da CSA aconteceu no sábado, dia 30 de abril, no Observatório Ambiental, na Rua da Praia, entre 14 e 18 horas. Cerca de 50 pessoas compareceram para assistir à palestra da mestranda em ecologia aplicada, Flavia Torunsky, que atua na CSA de São Carlos (SP), criada em 2013.

O público foi formado por moradores do Porto Grande, Pontal da Cruz, São Francisco, Centro, Morro do Abrigo, Topolândia, Barequeçaba, Cigarras, Boiçucanga, em São Sebastião, e ainda do bairro Martim de Sá, em Caraguatatuba, de Ilhabela e São José dos Campos. Entre eles, cidadãos ligados à engenharia florestal e agrícola, gestão ambiental, ecologia, agronomia, comércio, biologia, educação, cultura, jornalismo, escotismo, artesanato, gastronomia, associação de bairros, agricultura, permacultura, entre outros (todos os presentes com ao menos um interesse em comum: melhor qualidade de vida, aliada ao consumo mais responsável de alimentos livres de agrotóxicos).

Flavia proferiu palestra acerca do tema Comunidade que Sustenta a Agricultura, a pedido de um grupo de moradores do Litoral Norte que se uniu para criação deste projeto na região. Ela também abordou conceitos de Economia, uma vez que modelos econômicos atuais, como no Brasil, afetam e ditam as normas das sociedades no mundo. Ela citou experimentos sociais alternativos que visam criar sociedades mais justas e democráticas como a Economia Associativa, proposta pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner (1861- 1925). Flavia lembrou que Steiner pensou sobre associações com senso de comunidade e ações econômicas envolvendo a participação decisiva de todos os seus atores, o que resulta na predominância dos interesses coletivos. “Este é o fundamento da CSA, a economia associativa”, ela completa, lembrando que a CSA pode ser aplicada em qualquer demanda da sociedade, não somente na agricultura.

Brasil recorde no uso de agrotóxico
Flavia acentua que a crise ambiental afeta toda humanidade a agricultura está entre as principais causas deste impacto, em decorrência da degradação do solo, da água e do ar. “O agronegócio hoje no Brasil move principalmente as grandes produções e exportações de commodities (soja, trigo, café, algodão, borracha, etc). Já agricultura familiar orgânica não tem subsídio, nem sequer empréstimo bancário, com média de prejuízo em torno de 40%. É uma atividade de alto risco, mas sendo todo processo bem sucedido, o resultado é de abundância”.

Flavia frisa que o Brasil é campeão no uso de agrotóxico. “Conforme o documentário famoso “O Veneno está na mesa”, nós consumimos um copo de veneno por mês, ao comer alimentos não orgânicos”. São 5,2 litros por ano, segundo o documentário. “A produção de nosso alimento está sob controle de grandes corporações. Somente resgatando a agricultura, esta riqueza, para nossas mãos, é que poderemos mudar esta relação com nosso alimento. A CSA visa aproximar realmente consumidor e agricultor e criar a parceria entre ambos. O consumidor passa a financiar o agricultor”.

Gestão compartilhada é possível
A CSA de São Carlos foi criada em 2013. Lá os chamados cotistas e bolsistas, 70 pessoas, recebem em média sete itens de alimentos a cada semana, de uma agricultora. Conforme a CSA Brasil, o conceito de uma comunidade que sustenta a agricultura apresenta uma prática de sucesso para desenvolvimento agrário sustentável e o escoamento de produtos orgânicos de forma direta ao consumidor, criando uma relação próxima entre quem produz e quem consome os produtos.

Um grupo fixo de consumidores se compromete por um ano (em geral) a cobrir o orçamento anual da produção agrícola. Em contrapartida os consumidores recebem os alimentos de qualidade produzidos pelo sítio ou fazenda sem outros custos adicionais. Tal prática surgiu no Japão em 1970 e se espalhou pelo mundo. Nos Estados Unidos são 6 mil iniciativas e no Brasil cerca de 60.

Na CSA São Carlos, todas as decisões são definidas em assembleia, desde o que será cultivado, assim como orçamento, investimentos, custos das cotas, produtos em contrapartida aos cotistas. O orçamento em torno de R$ 8 mil/mês é divido entre 70 membros. Atualmente, o valor da cota é de R$ 120,00 mensais. Deste valor, R$ 4,00 são destinados a uma reserva para eventuais perdas na produção. Nesta CSA também são realizados mutirões em campo pelos membros. Destes mutirões participam também 14 bolsistas que não pagam a cota, mas apóiam com força de trabalho.

A segunda reunião
O próximo encontro em São Sebastião para formação da CSA, no dia 15, será destinado a: Reconhecimento de campo e elaboração conjunta do mapa da propriedade; Início do planejamento participativo do plantio para CSA; Diálogo sobre os princípios e início da estruturação da CSA, bem como a proposição dos próximos passos. Recomenda-se uso de calçado fechado (botas), perneira, calça jeans, protetor solar, repelente, chapéu, e cantil com água, além de lanche opcional.

Este encontro é destinado aos interessados em integrar a CSA do Litoral Norte, bem como na troca de experiências sobre iniciativas agroecológicas. Os interessados em participar deste projeto devem entrar em contato pelo e-mail
silasbb.ambiente@gmail.com.

Saiba mais:

http://csabrasil.org/csa/giza-lagarce/ http://www.csasaocarlos.com.br/

Veja também
“O Veneno está na mesa”

CSA na Alemanha


Fonte: Nívia Alencar – NS Comunicação

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