Polis-PET-Ulisses

Vassouras de PET geram renda em Santos

Inovadora quando do seu lançamento, a cooperativa informal Limpet Valongo é um sucesso porque persiste

Uma iniciativa social que alia geração de renda com sustentabilidade sobrevive com valentia há 14 anos no Centro Histórico de Santos. A Limpet Valongo, que transforma garrafas PET em vassouras, foi inovadora quando surgiu, em 2004, e sobreviveu mais pela garra e persistência das 120 pessoas que por ali passaram para trabalhar em sistema de cooperativa do que pelo reconhecimento do seu valor sócio-ambiental pela sociedade e pelo poder público.

João, Pedro, Maria, Antônio, Elisabete. Quaisquer desses nomes podem ter fabricado uma das simples, mas não simplórias, vassouras da Limpet, que são comercializadas por R$ 8,00 com cabo e R$ 7,00, sem o cabo.  “Preferimos vender as sem cabo, porque assim colaboramos ainda mais com uma sociedade sustentável. As pessoas devem se lembrar que aquele cabo dá para reutilizar”, comenta Ana Maria Gomes Carneiro, há mais de dez anos no projeto e que até hoje cuida de todo o grupo nos trabalhos no armazém espaçoso, cedido por uma ordem religiosa.

Terapia ocupacional, complemento de renda ou mesmo todo o sustento tirado das garrafas transformadas em utensílio de limpeza. Esse é o perfil dos participantes que operam a linha de montagem das vassouras de PET, parte deles é de pessoas com grau moderado de deficiência.

Polis-PET-UlissesUlisses André Nascimento (foto) tem 58 anos. Foi estampador de sacos de café durante muito tempo, uma função que não existe mais. Morador na vizinha São Vicente, vai de segunda a sexta ao Centro de Santos para cumprir sua jornada no Limpet Valongo. “Eu me encontrei aqui fazendo essas vassouras”, resume Ulisses.

Separação e limpeza, seguidas da filetagem, aquecimento, para endurecer o plástico, separação em porções, colocação e finalmente fixação das cerdas com pistola de ar comprimido. Essas são as fases de fabricação das vassouras e são realizadas todas as tarde no galpão. O que nem sempre é fácil é conseguir a matéria prima.

Polis-PET-MarinaMarina Correa (foto), de 50 anos, é assistente social e dá atendimento em entidades pelas manhãs. As tardes são no Limpet. Uma das mais novas da turma atende e participa do controle de qualidade, confecciona e serve de referência aos participantes. Moradora do Morro da Nova Cintra, também na região central, Marina explica que todos têm que saber fazer todas as etapas de fabricação e reconhece que ela mesma toma o trabalho com as franjas plásticas como terapia.

Sempre em sistema de cooperativa, sete pessoas participam das tardes produtivas durante os cinco dias da semana na sede do Valongo. “Temos um sistema mais livre. Todos ganham por hora trabalhada. Quem trabalha mais, ganha mais. A média fica em torno dos R$ 250 por mês”, contabiliza Silvânia Ramos, a coordenadora-geral do Limpet..

Ela conta que o projeto, inspirado num similar, existente no Rio de Janeiro, começou com mães em dificuldade para sustentar os filhos em determinado momento da vida. “Aqui, as pessoas muitas vezes estão de passagem. Quando conseguem uma colocação com carteira assinada geralmente partem. Outras trabalham meio período em outro lugar e vem à tarde para fazer uma renda extra ou terapia.

Sem recursos públicos para melhorar a qualidade das vassouras, foi por meio do Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania que chegou em 2009 o primeiro patrocínio representativo do Limpet, no valor de R$ 50 mil. Foi ele que garantiu os primeiros equipamentos, utilizados até hoje. De lá para cá, pouca coisa mudou. “Infelizmente, esbarramos na questão do CNPJ. Não temos um registro e as leis não nos ajudam a desatar esse nó e emitir notas fiscais. Por esse motivo, perdemos muitas vendas”, conta Silvânia.

20160921_145252 Iuna Gardênia dos Santos (foto) é cabeleireira. Aos 43 anos, fez curso e tudo. “Já trabalhei de doméstica também”, ressalta. Geralmente, é Gardênia, como é chamada, quem verifica o material na chegada e vê se ele está em boas condições para seguirem para o processo de limpeza. Garrafa a garrafa é checada. Mãe de uma filha de 13 anos, ela mora no Morro do Pacheco, bem próximo da Limpet. As tardes Gardênia são passadas ali se segunda à sexta porque os clientes como cabeleireira só aparecem nos finais de semana, quando atende em domicílio

A dificuldade em obter as PETs, que no começo parecia o menor dos problemas, ainda é grande. “Ainda falta educação ambiental para as pessoas. Temos alguns condomínios que nos ajudam. Mas mesmo desses, que têm placas nas lixeiras informando que elas são exclusivas para depósito de PET, as garrafas chegam amassadas, misturadas a restos orgânicos, de festas e outras sujeiras”, lamenta Silvânia. “Acho que esse descaso todo só mudará quando houver algum impacto financeiro na vida das pessoas”, constata.

Para cada vassoura fabricada com PET, cinco garrafas de dois litros de refrigerante têm uma destinação final de reuso e, posteriormente, ainda poderá ser reciclada. Quatro tipos de vassouras são fabricados, mas a Limpet Casa (R$ 8,00) é o carro chefe das 500 vendas mensais realizadas pelo grupo unido na confecção dos utensílios e no qual cada integrante sabe fazer todas as funções. “Quando temos mais encomendas aumentamos o número de horas trabalhadas e a renda”, explica Ana Maria, enquanto apresenta todos os equipamentos e ressalta a qualidade de cada um dos envolvidos na etapa de fabricação.

Limpet, Rua Marques de Herval, 24, Valongo, Centro Histórico de Santos. Telefone (13) 3017-4541

Texto e fotos: Flávio Leal, repórter do Observatório na Baixada Santista
Edição: Bianca Pyl, Comunicação Observatório

Uma resposta a Vassouras de PET geram renda em Santos

  1. Florise Malvezzi disse:

    Olá
    Muito intetessante este empreendimento
    Vou divulgar e assim contribuir psra apoiá.-los

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *