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Reserva Urbana preserva área de mata de Restinga em Bertioga

Trata-se da primeira Reserva Particular Urbana do município: objetivo é ser um polo de educação ambiental e geração de renda

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A Baixada Santista ganhou a sua primeira Reserva Particular Urbana (RPPN). Trata-se de uma área de 60 hectares, ou 600 mil metros quadrados, equivalentes a 60 campos de futebol com Mata Atlântica de restinga praticamente intocada, localizada mais próxima do Mar do que da Serra, em Bertioga.

Totalmente preservada, com espécies vegetais consideradas em risco de extinção, a RPPN foi criada pelo Serviço Social do Comércio, o Sesc, numa área contígua ao seu Centro de Férias instalado no local em 1948. O local onde fica a nova unidade de conservação já foi considerado a maior colônia de férias da América Latina e serviu de modelo para dezenas de outras por todo o País.

A nova RPPN será a terceira unidade de preservação total que o Sesc implanta, mas será a primeira delas urbana e no Estado de São Paulo. As outras duas ficam no o pantanal e na floresta amazônica, em Roraima. Batizada de reserva do Rio da Praia, a unidade de conservação vai inovar com uma trilha universal, totalmente acessível a pessoas com os mais diversos os tipos de deficiência, com painéis táteis e piso regular.

“Na verdade é uma reserva particular, mas objetivamente, como é em zona urbana, a comunidade vai poder usar o local, através de projetos socioambientais”, diz a secretária de Meio Ambiente de Bertioga Marisa Roitman. Segundo ela, o município e o Sesc trabalharam em conjunto desde o primeiro momento em que se concebeu a RPPN.
Marisa explica que a “rota” de quase um quilômetro que será implementada no Rio da Praia será totalmente “explicativa, didática”.

No total, a biodiversidade levantada pelo plano de manejo da nova reserva listou 589 espécies de plantas e animais “Queremos que a comunidade se aproprie da reserva. Essa área tem que reverter num local onde se tenha também manejo de frutas silvestres, cultivo abelhas e que gere vagas de trabalho também na conservação da trilha. O ideal é que seja algo muito positivo não só do ponto de vista ambiental, mas do ponto vista social”, afirma Marisa.

Bertioga tem 96% do seu território de 490 quilômetros quadrados gravados como área de preservação ambiental. Do ponto de vista ambiental, trata-se de uma floresta muito bem preservada, com áreas nativas importantes e onde se encontram em quantidades razoáveis espécies em extinção desse bioma, como Guapuruvu Schizolobium parahyba e a samambaia-açu (Dycksonia sellowiana). Isso credencia a nova RPPN como banco de sementes ou de mudas, também. Pássaros também são abundantes na reserva.
“Estamos dispostos a parcerias em projetos que sejam alinhados com os nossos objetivos para a Reserva Natural Sesc, como a chamamos”

Emerson Luiz Costa, agente de educação ambiental do Centro de Férias de Bertioga do Sesc, contíguo à nova reserva, explica que o principal objetivo é a comunidade do entorno.

Sesc-Bertioga-PMB“Nossa intenção é trabalhar as educação ambiental, projeto agro-florestais, banco de sementes, envolvendo toda a comunidade local, principalmente o conhecimento para produção de mudas de ervas”, projeta Costa.

Manejo
Além da Guarupuvu e da samambaia-açu, a nova reserva tem uma ocorrência considerável, no comparativo com outros locais de restinga, de mudas do fruto Cambuci, de nome científico Campomanesia Phaea. Recentemente redescoberta pela culinária a partir das receitas do chef Alex Atala após décadas de esquecimento, o Cambuci ocorre no bioma de Mata Atlântica em Minas Gerais, Rio de Janeiro e, principalmente, em São Paulo. Segundo a International Union for Conservation of Nature (União Internacional para Conservação da Natureza), a classificação do Cambuci como atualmente é de estado de vulnerabilidade de existência.

No Plano de Manejo desenvolvido no local se verificou a ocorrência de 589 espécies de fauna e flora. Palmito juçara também foi encontrado na unidade. Já a fauna teve registros, entre outros, de quatro espécies de besouro não ainda registradas em Bertioga, veado catingueiro, tamanduá-mirim, rato do brejo (raro) alem de pássaros que necessitam de atenção para a sua conservação, como macuco e o choquinha-cinzento (foto) ambas “quase ameaçadas”.

Costa, do Sesc, classifica que o futuro da nova RPPN como um polo de difusão de tecnologias, pesquisas e educação ambiental. “Estamos dispostos a parcerias em projetos que sejam alinhados com os nossos objetivos para a Reserva Natural Sesc, como a chamamos”, finaliza o agente ambiental.

Serviço: A Reserva Natural Sesc Rio da Praia tem acesso pela avenida Anchieta, que liga o Centro de Bertioga a bairros periféricos. Mais informações pelo telefone (13) 3319 7700.

Texto: Flávio Leal, repórter do Observatório na Baixada Santista
Edição: Bianca Pyl, Comunicação Observatório

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